18 Fev Uma (A)Ventura na Fotografia

A dupla de natação sincronizada Cheila Vieira e Beatriz Gonçalves. © Inês Ventura
fevereiro, 2022
Uma (A)Ventura na Fotografia
“Tive professores que me mostraram que era possível, e comecei a voar na Fotografia.” A paixão esteve sempre lá, mas Inês Ventura nunca tinha considerado fazer dela carreira. Estudou Psicologia Aplicada, na área Clínica, e especializou-se em Gestão de Recursos Humanos, ramo em que viria a trabalhar durante 13 anos: “Tinha o meu trabalho das 9 às 5, mas tudo o que ia fazendo era em pós-laboral ou se tirasse alguns dias de férias. A partir de 2017, comecei a fazer umas coisas com um cariz mais profissional, mais até na fotografia de espetáculo, concertos… E fui investindo. Fiz num curso de Fotografia na Restart e, a partir daí, não parei. Foi nessa altura que eu senti que já não estava nem num lado nem no outro.”

Em 2019, Inês Ventura conheceu “a voz do milénio”, Elza Soares, numa entrevista ao Ritmos e Batidas. © Inês Ventura
Num ano atípico como 2020, Inês lançou quatro projetos, dois deles relacionados com os efeitos da crise pandémica: “Suspenso”, onde, através do retrato, conta estórias de pessoas que foram afetadas, de alguma forma, pela Covid-19; e “Estamos Assim”, centrado no impacto da pandemia na restauração, nos bares e espaços culturais. O ano passado, esteve entre os dez vencedores da Open Call POSTER com um retrato que homenageia o cante alentejano: “Conheço o Bruno Saavedra, que já foi vencedor da Open Call, e já seguia o POSTER nas redes sociais. Acho interessante como, além de ser uma galeria a céu aberto, interliga diversas áreas de uma forma tão fluída, e pensei que me deveria candidatar com aquele poster específico.” A imagem surge no contexto de um projeto realizado com o Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento (RCEVNSB): “Queria fazer uma coisa mais clean, sem tanto ruído, pôr um fundo que cobrisse tudo, mas a imagem ficou um bocadinho mais tosca e desprovida de artificialismos, o que acabou por dar mais riqueza à imagem”, explica a fotógrafa.

Retrato do cantor e compositor brasileiro Ivan Lins. © Inês Ventura
Naquele que considera ter sido o “ano zero” da sua aventura na 8.ª arte, Inês ingressou no Master em Fotografia Artística no IPCI – Instituto Português de Cultura e Imagem –, e daí nasceu mais um projeto: “Acabei por ter lá uma exposição coletiva com colegas– um trabalho com drag queens que procura mostrar a dimensão feminina através desta arte performativa. Na parte que já está exposta, vemos o casal João e Bruno – Alejandro e Naomi Beauty.” A intenção era juntar imagem e palavra, por isso, a dupla (que ficou conhecida pela participação no Got Talent Portugal), foi convidada a escrever os seus pensamentos nas próprias fotografias.

A fotógrafa desenvolveu recentemente um projeto com drag queens no IPCI – Instituto Português de Cultura e Imagem. © Inês Ventura
Em paralelo, a fotógrafa está também a desenvolver um projeto com atletas de alta competição no feminino: “Em Portugal, só 28% dos atletas federados são mulheres. As capas dos jornais mostram, na generalidade, futebol e masculino. As atletas só são referenciadas quando alguma é medalhada. O meu objetivo é enaltecer a imagem da mulher no desporto.” As atletas olímpicas Sara Moreira e Susana Costa e a basquetebolista Márcia Costa, eleita Jogadora da Década 2010-20 da Liga Feminina, são alguns dos rostos deste trabalho.
No seu portefólio, o retrato é o registo que sobressai e os de Elza Soares e Ivan Lins roubam facilmente a atenção. Embora dedique igualmente boa parte do tempo à fotografia de produto, Inês admite: “o registo documental é onde gostava um dia de ter o meu lugar.”
A (a)Ventura continua.

Inês Ventura pretende dar maior visibilidade ao desporto feminino em Portugal. © Inês Ventura