21 Out Rebranding Labdesign: antes da forma, o processo

Outubro, 2026
Rebranding Labdesign: antes da forma, o processo
Há sinais de mudança que uma identidade gráfica não mostra. Começam dentro da organização: novas competências ganham espaço, diferentes áreas passam a trabalhar de forma mais próxima, os projetos crescem em escala e complexidade e a forma de pensar evolui.
Nada disto significa, por si só, que uma marca tenha de mudar. Mas há momentos em que aquilo que os outros veem já não traduz inteiramente aquilo que a organização é.
A identidade anterior continuava a cumprir a sua função e a representar muito daquilo que somos. O que tinha mudado era tudo o que entretanto crescera à sua volta. Ao longo dos anos, Design, Arte, Conteúdos e Eventos passaram a cruzar-se cada vez mais no trabalho. Labdesign, Edit.Set.Go e Departamento mantinham identidades próprias, mas partilhavam equipa, pensamento, experiência e, em muitos projetos, o mesmo processo.
Para nós, essa relação era natural. Para quem nos via de fora, nem sempre era tão evidente. Decidimos iniciar o nosso próprio processo de mudança: perceber se a marca continuava a traduzir com clareza a empresa em que nos tínhamos tornado. E fizemo-lo da mesma forma que trabalhamos os projetos dos nossos clientes

1. Diagnóstico
Começámos por criar distância. Estar dentro da marca todos os dias dá-nos contexto, mas também pode tornar menos evidente aquilo que quem está de fora realmente percebe. Precisávamos de identificar onde existia essa diferença entre realidade interna e perceção externa. As competências estavam mais integradas, a forma de trabalhar tinha evoluído e a dimensão da Labdesign já não era totalmente visível na arquitetura de marca existente.
“Uma marca deve dizer a verdade sobre a empresa.” – Bruno Pereira, Sócio Fundador e Diretor Criativo
A identidade não tinha deixado de funcionar. Precisava de voltar a acompanhar aquilo em que nos tínhamos tornado.
2. Estratégia
Com diferentes identidades, quatro áreas de atuação e 26 anos de trabalho, havia muita matéria disponível. O desafio estava em perceber o que era essencial e organizar essa dimensão de forma mais clara.
Simplificar tornou-se, por isso, uma decisão estratégica. A integração entre Design, Arte, Conteúdos e Eventos já acontecia na prática. Precisávamos de criar uma estrutura capaz de tornar essa realidade igualmente evidente na marca. Ao mesmo tempo, queríamos preservar aquilo que continuava a ter significado.
“O risco era criar algo novo que apagasse a história em vez de a consolidar.” – Fernando Xavier, Designer Sénior
3. Conceito
Labdesign, Edit.Set.Go e Departamento precisavam de convergir sem que a nova identidade fosse apenas a soma visual das três. O trabalho foi de síntese. Revisitámos formas, cores e códigos existentes, mantendo aquilo que continuava a ter função e retirando o que já não contribuía para uma leitura clara. Foi desse processo que surgiu uma presença mais direta de LAB e uma ideia capaz de estruturar o sistema: Simplificar para unir. A nova identidade reorganiza o percurso anterior para responder àquilo que a Labdesign é hoje.

4. Desenvolvimento
A estratégia orientou o desenho, mas o desenho também nos devolveu perguntas. Algumas direções ganharam força quando começaram a ser testadas; outras perderam sentido e ficaram para trás. Foi durante esta exploração que as formas do sistema evoluíram e encontraram uma relação com as cinco etapas que já estruturavam o nosso método: Diagnóstico. Estratégia. Conceito. Desenvolvimento. Entrega. Essa correspondência não foi definida à partida. Surgiu durante o próprio trabalho.
“O logótipo tornou-se um retrato do caminho que o produziu.” – Fernando Xavier
A identidade passou assim a refletir também a forma como pensamos e desenvolvemos os projetos.

5. Entrega
O resultado é um sistema que reúne de forma mais clara as diferentes dimensões da Labdesign. Design, Arte, Conteúdos e Eventos passam a ser apresentados como quatro eixos de uma mesma prática. As cores recuperam referências das identidades anteriores, as formas incorporam o método e elementos como o Brio e a assinatura WE ♦ YOU mantêm presente uma dimensão essencial da nossa forma de trabalhar: a proximidade.

O rebranding tornou visível uma realidade que, em grande parte, já existia dentro da empresa. E confirmou-nos algo que encontramos também no trabalho com outras organizações: uma identidade não precisa de deixar de funcionar para chegar o momento de a questionar.
Os sinais podem surgir antes. Quando a empresa evoluiu e a perceção ainda não acompanhou essa mudança. Quando diferentes competências já trabalham de forma integrada, mas continuam a ser lidas separadamente. Ou quando a identidade continua a representar uma parte importante da história, mas já não consegue projetar com a mesma clareza aquilo em que a organização se tornou.
Foi esse o ponto de partida para a nossa mudança. Antes de redesenhar a marca, precisámos de criar distância, rever o percurso, identificar o que devia permanecer e tornar mais clara a relação entre tudo o que já fazia parte da LAB.
A nova identidade é o resultado desse processo. Não começou na forma, mas na necessidade de voltar a alinhar aquilo que somos, a forma como trabalhamos e a forma como queremos ser percebidos. E é isso que queremos que continue a fazer: acompanhar a LAB à medida que evolui, sem perder de vista o percurso que a trouxe até aqui.